Número de Visitas Feeds
Busca
Proposta do Site
Canais
Brasil
Rio Grande do Sul
FESTIVAIS
Viamão
U T V
CTGs Viamão
Tradicionalismo
ENART 2009
RODEIOS
Esportes Viamão
DICAS
Artigos


Tempo Agora

Serviços
Página Principal > SEÇÕES DO PORTAL  
Estância

Antecedentes da Guerra dos Farrapos - As Estâncias

Jaime Caetano Braun, aclamado e popular poeta gaúcho, começava assim uma poema épico: “meu velho galpão de estância / da pampa verde-amarela / que ficou de sentinela / da história da nossa infância / és um marco na distância / da velha capitania / porque foste a sacristia de batismo do gaúcho / quando moldou-se no buxo da Pátria que amanhecia.”

A referência desse belo poema Galpão de Estância nos remete ao mais primitivo núcleo rural que, no dizer de Paulo Xavier (A Estância, em Rio Grande do Sul – Terra e Povo, Editora Globo – Porto Alegre, 1969, p 75) “era um complexo familiar e comunal aplicado à criação, que se constituiu em linha mestra do desenvolvimento econômico desta região; uma sucessão de nexos ecológicos que criou um tipo de vida, característico linguajar e um sem-número de hábitos e atitudes.”

A figura do estacieiro, mescla de senhor feudal, patrão, guerreiro e conhecedor das lides campeiras, creditava-lhe autoridade indiscutível. Um punhado de pessoas, de peões, de escravos aos afilhados, ficava sob a sua proteção. A troca de serviços era o vínculo mais apropriado e que propunha o crescimento da estância, a sua prosperidade.

As festas religiosas eram realizadas dentro das estâncias. A alimentação de subsistência era toda produzida ali mesmo. Os homens geraram o tipo humano conhecido como o gaúcho, mistura de índio, espanhol e português. O relacionamento nesse ambiente heterogêneo predominava a cordialidade e o respeito mútuo. A mulher recebia educação para cuidar do lar, envolvendo-se com a vida doméstica, detinha nobreza de tratamento (aliás, manifestado até hoje na tradição gaúcha dos CTGs).

Como entretenimento, havia as carreiras de cancha reta, reservadas aos homens. Onde se processa o divertimento, as peleias e os desafios. Daí se aponta para a presença do cavalo, indispensável em qualquer estudo, pois se constituiu não só em um meio de transporte, mas complemento exterior da forja do gaúcho. Não se pode pensar neste sem pensar naquele.

O PAPEL DA IGREJA

Sem dúvida nenhuma, a Igreja teve um papel muito importante na educação moral do povo rio-grandense. A maioria da população, tanto urbana quanto das estâncias, eram católicos praticantes. O comparecimento à missa de domingo era um compromisso inescusável. Revela-se aqui um costume trazido pelas mulheres açorianas de comungarem com a cabeça descoberta que logo prosperou, seguindo atitude contrária das demais mulheres brasileiras, que cobriam o rosto com um véu, costume mouro adotado pelos outros portugueses.

O sentimento religioso imperava. Não raro os nomes de cidades mais antigas tinham nome ou vinculo religioso, Santa Cruz, Cruz Alta, São Francisco de Paula, Santa Maria, Sant´Ana do Livramento. A origem do nome da cidade de Cruz Alta, por exemplo, está associada a uma capela com uma cruz bem alta. Ela foi mandada fazer pela família de um estancieiro que, acometido de enfarte na mata, quando passeava com a filha pequena, morreu. A criança foi alimentada por uma loba (Jacy) até ser encontrada viva, dentro da floresta.

O sacerdote era uma figura especial e importante nesse processo. Além de guia espiritual, atuava como conselheiro, confidente e amigo, participando ativamente das confabulações e da política local. A ele recorriam as pessoas em busca de conselho e de orientação e se acatava as suas decisões. As festas religiosas serviam também para integrar os núcleos rurais, entre as estâncias. Não raro serviu também para aglutinar esforços políticos.

Mais distante dos centros citadinos e vilas, próximo da fronteira, a presença da Igreja não era tão acentuada e, por isso, perdeu espaço com o tempo. A Maçonaria, como forma de representação dos estancieiros, complementou e se instalou nesses recantos, exercendo muita influência política no século seguinte. Mas, as mulheres continuaram vinculadas à Igreja, como ponto de encontro, de confabulações e atividades religiosas e sociais.



Silvio Luzardo

 jornalista, historiador e professor de oratória no Senac-SC




Portal Viamão - Notícias, Artigos, Jogos - Conteúdo Inteligente - Confira!
Copyright 2008-2009 Portal Viamão. Desenvolvido por: Art Webhost e Guia Web Viamão