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NOTÍCIAS

FESTA DA COLHEITA ANIMA ITATI

27/07/2010 20:27:13

 A Colônia formada pelos municípios de Itati, Três Forquilhas e parte da Terra de Areia e também de Aratinga, mostrou parte de sua produção aos visitantes neste domingo dia 25 de julho.

   Por coincidência a festa foi realizada no dia do colono e também da imigração alemã no RS. Além disso ainda comemorou-se o dia do motorista. Muitos descendentes de colonos alemães, os fundadores da colônia, hoje buscam seu sustento na boléia de caminhões transportando cargas pelo Brasil a fora.

   Tivemos a oportunidade de observar algumas mudanças na região em relação a anos anteriores no que se refere à organização dos produtores. A criação de uma Cooperativa com a finalidade de estabilizar os preços em épocas diferentes do ciclo produtivo e de viabilizar a colocação da produção no mercado consumidor. Estas ações estão conseguindo espaço junto a escolas e repartições públicas do litoral norte, onde os produtos fazem parte da merenda escolar. Os dirigentes estão otimistas, apesar de as pessoas da região ainda estarem um tanto receosas quanto à organização.

   Durante o dia, várias atividades integraram os moradores e os visitantes que na sua maioria são nascidos também por aqui. Estes com o passar dos anos acabaram oprimidos pelo sistema e mudaram-se para a cidade grande. A saudade os trás de volta para as confraternizações sempre que ocorrem principalmente as da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a primeira de Itati. Esta comunidade foi fundada pelo pastor Carlos Voges, nascido na Alemanha e enviado pelo administrador da província por ser um homem com conhecimentos administrativos suficientes para organizar o povoado. Hoje já não é mais possível plantar como se fez durante mais de 150 anos. Ocorre que as leis ambientais são muito radicais quanto à preservação, não levando em conta que as pessoas são os agentes que convivem com este ecossistema a tanto tempo e o mantiveram preservado. Até os fornos à lenha usados para cozinhar as roscas de polvilho, um sucesso da colônia, vão acabar. Os pequenos engenhos que fabricam o açúcar mascavo e a cachaçinha também estão sendo condenados em primeira instância. Os órgãos fiscalizadores inclusive ameaçam pequenos agricultores quando flagrados em desacordo com a legislação.

   O mais estranho é que os candidatos em plena campanha eleitoral, quando questionado sobre o fato, desconversam e procuram persuadir a meia dúzia de eleitores a declinarem seu voto prometendo outras coisas mais milagrosas. Um deputado federal poderia olhar com maior atenção para este problema, elaborando um projeto que consiga preservar o local mas que não impeça as pessoas de continuarem suas cultura e sua sobrevivência como sempre o fizeram.

   Mas, como é bom ver pessoas em família, numa roda de cadeiras, ao sol tímido de inverno, ao lado da igreja com o paiol ao fundo. Isto não pode e não deve acabar. São estas relações tão próximas e confiáveis que preservam os valores que tanto se discute em nossa sociedade atualmente e que tão pouco se faz para que permaneçam.

   Roberto Kellermann - 27/7/2010

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